Fim de semana passado estava trocando texts com uma amiga, no fim da noite começamos a falar sobre a convivência com nossa família e de como isso faz falta. Ela sente falta da avó brigando porque ela chegava da escola e não tirava o sapato para entrar em casa, do barulho da panela de pressão avisando que o feijão estava quase pronto ou de sua avó a chamando na escada porque o pão estava fresco. Eu sinto falta de brigar com meu irmão, do nosso pós-briga, aquele sentimento de raiva que durava 5 minutos e depois vinha o palhaço na minha frente tentando me fazer rir e o amar novamente... Ele sempre conseguia. Ou das promessas diárias de que eu não falaria com ele porque ele me irritou muito, mas que eu quebrava depois de meia-hora. Sinto muita falta das músicas do meu pai, da gargalhada estridente que ele dá e de quando ele vinha conversar sério comigo e os conselhos não lhe tomavam mais que 5 minutos e quando saíamos do quarto tinha a frase de sempre da minha mãe: "MAS JÁ?", para ela só é conselho bom se lhe toma 10 horas da vida. Minha mãe é minha melhor amiga, dela eu sinto falta de tudo, até das broncas e de como as vezes ela me tirava a paciência, sinto MUITA falta da risada dela, de quando ela vinha deitar comigo na minha cama no meio da noite e das nossas conversas por lá antes de pegarmos no sono. Sinto falta do meu quarto e da estratégia que eu tinha para ficar confortável assistindo meus seriados... Lá era o meu mundo, sinto falta de pensar por lá, escutar minhas músicas e planejar a vida no meu espaço.
Eu falo com eles todos os dias, mas não é o mesmo de estar em contato. Sinto falta de saber como eles estão, como acordaram, como está o humor de cada dia... As vezes eu sinto que minha mãe me esconde se realmente está bem, se a dor nas costas não está mais lá mesmo, tudo isso para não me ver preocupada.
E eu sinto falta da Natshesca para tomar banho de esguicho de grama comigo, ficar na frente da biblioteca sentada tentando conversar em inglês comigo, indo no show da nossa banda do momento e quase morrendo sendo pisoteadas por adolescentes frenéticos e depois chegando a conclusão de que a Ga nunca mais vai querer ir em um show depois daquilo, comendo no BK e passando a tarde inteira falando sobre coisas avulsas lá, respeitando as diferenças uma da outra e sendo igual a mim em muitos momentos, tirando as fotos mais legais e me fazendo pensar que eu até sou bonita e o mais importante, me fazendo mor reeeeer de medo do fim do mundo, porque né... amiga que é amiga assusta pra caraca a outra. NATI, VOLTA, VOOOOOOOOOOOOOLTA! A Ga tem chorado todos os dias e fica me texting também, eu não aguento mais isso. Brincs. Amo você e amo a Ga, vocês são demais.
A Ga é a do momento. Ela me faz eu me sentir a mais burra... Só porque eu sou tímida, bicha ruim. Mas a gente caminha na escuridão e vamos em casamentos. Jogamos coisas divertidas e eu a escuto chorar por causa da Nati. RÁ! (O blog é meu e eu te queimo mesmo) Cantamos Legião Urbana aos gritos na cozinha e rimos feito idiotas, o que a Ga é mais que eu, claro.
Aí depois desse fds texting, nós chegamos a conclusão de que esses momentos que vivemos hoje serão a nostalgia de amanhã. Entoces bamos viver a vida loca, mi hermanos. Capaz que escrevi tudo errado... Ano que vem meu irmão corrige.
Mas aí tem dias que essa saudade é grande demais que parece que vai te engolir. E dói, dói muito.
Aí eu estou longe. Estou estudando e me esforçando para estar melhor do que eu cheguei aqui... E sabe aqueles dias que você se esforça muito para falar o inglês, que você dá o seu melhor mas sempre vem aquela pontinha de insegurança te sugando para baixo? Sua auto-estima não está lá grande coisa. Nesse ponto, você para e vem alguém te dizer depois de uma breve conversa:"Anyway, you are beautiful. Really... you are beautiful." Num momento desse que eu vejo um sorriso para mim e a vida me empurrando para cima. Eu vou. Eu consigo. Auto-estima, ajudae e sobe junto comigo.
Só tenho que expressar minha gratidão por tudo o que me ocorre. Por todas as vidas que eu toco e que me tocam, por palavras doces e por todo o aprendizado que eu tenho tido. Não tenho estado em contato físico com minha família, mas ganhei outras famílias aqui, ganhei outros tipos de contatos aqui... Não são como os Xavier, mas eu me sinto tão feliz quanto quando estou com eles.
"whatever road you are on
I know we'll survive"
Julia Nunes - I think You Know